Poema: Amor a dor

Por Sabrina Delfin Dias


A dor da familiaridade, do tipo de lugar que você não escolhe pertencer

A dor da comunicação, aquela que é difícil e sofrida de acontecer

A dor do imutável, quando você percebe que as pessoas não vão mudar

A dor de existir, de querer desistir, inexistir e calar

 

A dor do conhecimento, ao perceber que você não sabe nada e o que se sabe pode ser contraditório

A dor de pensar, quando sua mente jamais descansa ou prefere um mundo alienatório

A dor do questionamento, que vem junto com a rebeldia de não aceitar as coisas como são

A dor da conformidade, de ter que aceitar as coisas como elas são

 

A dor do prazer, e a busca desesperada de preencher o vazio

A dor da beleza, dos olhares famintos penetrando a sua pele com um negativo calafrio

A dor de viver, já que ninguém escolheu isso, mas ainda estamos aqui, mesmo sem ter pedido

A dor da liberdade, de ter que lidar com nossas próprias ações, e de lutar mesmo que tenhamos perdido

 

A dor da solidão, que é gélida, concreta e esmagadora

A dor das palavras, que nunca são o suficiente, uma palavra destruidora e outra criadora

A dor de sentir, e de não conseguir descrever o que sente

A dor da dor, infinitas dores e de maneiras inimagináveis, que destroem o ente e a mente



Arte: Amor e Dor (Vampyr') by Edvard Munch (1893)


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