Poema: Miss America
por Sabrina Delfin Dias
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Ela pisca seus olhos de corça e sorri
Sente o doce sabor dos comprimidos
Se pintando de si mesma, mas não é o bastante
Gritando sem ser ouvida, com a carne apodrecendo
A suave melodia das correntes
Em seus sonhos mais profundos ela era Miss America
É vista, é ouvida, é amada
E pela primeira vez ela é protegida
Mas ah… Como era solitária…
Os olhos de corça da Miss America se abrem
Contemplando a grotesca realidade solitária
Ela não pertence a nada, e não vem de lugar nenhum
Ela não é filha de ninguém e muito menos é o amor de alguém
Os corpos vazios se esticam desesperados
Implorando atenção, querendo ser preenchidos
Mas Miss America apenas observa solitária
Desejando tudo, mas desprezando tudo
Como era solitária…
Miss America não se rasteja, e muito menos se desespera
Mas a solidão dança em seus olhos brilhantes e nas curvas do seu corpo
Tudo era tão vazio e solitário
Ah como era solitária...
Por sempre ser, ou não ser, boa demais
Inteligente demais, bonita demais, difícil demais
Mas de que isso importava? Miss America queria o que era impossível
Porque ela era boa demais e não era boa o suficiente
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Notas da Autora:
Nesse poema eu uso o termo "Miss America" como algo pejorativo. Como se olhassem para o eu lírico e dissessem "Olha lá ela! Se acha a Miss America".
Desejada por alguns e detestada por outros. Mas mal compreendida e objetificada por causa da boa aparência. "Boa demais" para alguém se aproximar, mas não é "boa o bastante" para realmente ser amada. Não apenas o amor romântico, mas sim... amor

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