Poema: "O Jeito Deles"
Por: Sabrina Delfin Dias
Minhas feridas nunca cicatrizam
Essas linhas que se eternizam
A falsa eternidade de minha carne
A ilusão de que esse monstro reencarne
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Nessa torre não existe cura
Para as feridas não existe sutura
Meus carcereiros jamais permitiriam minha melhora
Para as feridas emocionais e físicas só existe uma piora
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Feridas sempre abertas sangrando, escorrendo, pingando
Costurando meus lábios, me calando
Na torre onde as coisas são mais fáceis
Feita com carcereiros de egos frágeis
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Na torre onde as coisas são mais difíceis
Feita de meus pensamentos frágeis
Onde tudo sangra e nada muda
Onde eu me debato e grito por ajuda
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Não sou santa, mas também não sou profana
Com a mundana grana que esgana
Presa com o açúcar dos grilhões
Me rastejando com minhas ilusões
Mas eles gostam assim, do jeito deles
A dor é tudo o que eu consigo sentir
Com um sorriso agradável para assim mentir
Obrigada pelas rosas, obrigada pelas rosas
Carcereiros com falsas almas bondosas
Mas eles gostam assim, do jeito deles
O que não é do jeito deles não é permitido
E eu acordei sendo apenas um inseto ferido
Rezando para que um dia me humanizem
Mas eles não permitem que minhas feridas cicatrizem
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Eles não permitem que minhas lágrimas sejam enxugadas
Apenas mais uma entre as bonecas desprezadas
Os grilhões inquebráveis e pesados
Fui pega nas armadilhas disfarçadas de agrados
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Uma jaula com várias linhas emaranhadas
Linhas brancas e linhas vermelhas bordadas
O jeito da dor e do sofrimento
Da falta da delicadeza e do sentimento
Mas eles gostam assim, do jeito deles
O jeito da solidão e da frieza
Para eles não existe outro caminho além da tristeza
Eles são assim e querem que, dessa mesma forma, todos o sejam
Sugando a vitalidade da esperança, não importando o que os outros desejam
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Quebrando facilmente estruturas que eu levei muito tempo para erguer
Como espinhos se enrolando pelo meu corpo até ele apodrecer
Me sufocando, me machucando, me prendendo
Tentando deixar meu corpo em paz mas sempre falhando e perdendo
Mas eles gostam assim, do jeito deles
Tentando deixar a minha pele se curar
Assim como a minha mente se restaurar
Mas dia após dia eles me adoecem
As feridas se abrem e as estruturas se estremecem
Mas eles gostam assim, então agradeça o jeito deles

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