Texto: "Amor é tudo aquilo o que a minha mãe disse que era"

    Quando eu era mais nova minha mãe disse que o amor não existia. Me senti em conflito pois as histórias de amor que eu lia me apresentavam um sentimento tão detalhado que era possível sentir como se fosse você mesmo naquelas páginas.

    Minha mãe especificou que era aquele amor entre casais, tão fervoroso e intenso, que não existia. Eu duvidei dela. Acreditei ser a amargura falando através de minha mãe que se encontrava fadada a uma união conturbada com meu padrasto, um homem grande de tamanho mas que tinha um cérebro minúsculo.
    Com o passar dos anos me veio a ideia de me abrir para as possibilidades de um romance. No início foi difícil, mas eu conheci pessoas, entre elas um ser humano repulsivo que transbordava uma vida que me era muito diferente de minhas vivências. E por um momento parecia que poderia dar certo.
    Suas palavras eram como espinhos que perfuravam a minha pele, principalmente quando cada aspecto de meu ser se tornava um problema que escorria como veneno daqueles lábios. A pior parte é se sentir usada como se você tivesse sido apenas um pedaço de carne para alguém se deliciar. Acreditar que poderia ter sido diferente.

    Eu havia dado tudo de mim para cuidar e me importar com a intensidade que eu via nos livros. A pior parte foi perceber que eu recebia de volta o oposto. E então eu vi que ao entregar rosas as vezes você recebe espinhos.
    No início eu acreditava que bastava eu demonstrar, mas dessa forma eu fui acreditando que eu não era merecedora de amor. Ali eu percebi que muito do que minha mãe falou estava certo. O amor era tudo aquilo que ela dizia afinal? Talvez a pior parte foi me tornar tão amarga quanto ela, afinal, eu precisava me proteger contra sentimentos de "amor".

    Bukowski estava certo quando disse que o amor era tudo que nós dissemos que não era? E Shakespeare? Estava certo quando disse que os prazeres violentos têm fins violentos? De certa forma eu sentia que nossos sentimentos morreram no triunfo. De fato, como fogo e pólvora. Antes eu tentava me cegar, mas agora eu percebo.
    O amor não é nada do que eu dizia que era...

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