Poema: "A Jaula"

Por: Sabrina Delfin

Para onde quer que eu olhe eu só vejo essa jaula Não sei bem que tipo de animal eles decidiram que eu sou Eu não posso dormir sem pílulas Eu não posso comer sem açúcar  Tudo tem gosto amargo Mas eu continuo comendo  As ilusões que eu crio são tudo o que eu tenho Ilusões sobre um mundo onde eu não sou rejeitada Um mundo onde eu sou livre Onde eu sou bem vinda e bem quista Mas então eu acordo Eu acordo e me deparo com a jaula Onde pessoas dizem me amar mas na verdade não gostam de mim Onde meus pulsos continuam sangrando Onde eu corro sem sair do lugar Onde eu não posso fugir ou desaparecer Onde eu não posso viver mas não posso morrer A jaula parece fora do mundo Aqui o tempo não passa, estou estagnada junto de meus carcereiros Eles me dão rosas, mas elas sempre vem com espinhos venenosos De suas armas escorre mel, apenas para parecer doce Eles usam máscaras coloridas que não fazem mais sentido como antes Quando criança eu acreditava nas máscaras coloridas Quando criança eu não percebia os espinhos saindo grotescamente das rosas Quando criança eu não via os olhos que me vigiavam Eu não percebi as armadilhas, eu não percebi até que fosse tarde Quando dei por mim eu estava presa na jaula Fui atraída com doces e brinquedos Um animal capturado sob o controle de alguém Os olhos estão por toda parte Até quando os carcereiros não estão os olhos continuam lá, me vigiando Suas sombras continuam me perseguindo Eu quero chorar, eu quero fugir, eu quero gritar Ninguém pode me ouvir na jaula e eu acabo falando comigo mesma Eu sinto frio, sinto dor, sinto raiva, sinto angústia Os monstros embaixo da cama são reais Eu me pergunto, se algum dia eu vou sair da jaula E se eu sair? A jaula vai sair de dentro de mim também?

Imagem: 'Great Flood' de Joseph-Désiré Court (1826)


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