Por: Sabrina Delfin
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Em mim eles encontravam o alento de odiar aquilo que lhes despertava admiração
Eu era a liberdade da qual eles não usufruem
Eu era a beleza que eles não possuíam
Em minha presença se viam sem direção
Sem coragem e sem valor
Em mim eles jogavam todas as pedras que repousavam em seus caminhos tortuosos
Em minha mente, jamais querendo dizer "gênio", eles diziam qualquer coisa que os fizessem sentir menos rancorosos
Em meu corpo ou em minha face não se era possível santificar
Não se era possível admitir ser um anjo
Era mais fácil danificar
Era mais fácil me tornar um demônio
Em suas histórias eu era um monstro
Em contos venenosos ditos em rodas para assustar os novatos
E assim acreditavam os desavisados
Que com olhares de repulsa me fitavam
Não importava se era rainha ou demônio
Se era gênio ou monstro
Os muitos nomes que me davam
Sendo assim não me importavam
Lúcifer, Belzebu, Azazel
E em suas lástimas esperavam que eu fosse fiél
Mas em mim permanecia tal luz
Que para eles jamais faria juz
Sempre fora invejável
Assim me chamavam Lúcifer, Belzebu, Azazel
me chamavam demônio, monstro, besta
Em meu âmago não era apenas luz, mas também era trevas que ali jaziam
E assim eu me torno então o diabo que eles tanto queriam.
Imagem: Recorte da obra Fallen Angel de Alexandre Cabanel
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