Poema: "Aquilo que não existe"

Por: Sabrina Delfin

No final do dia eu não tinha nenhum deles comigo Eu não queria minhas lágrimas, mas eu não podia evitar, eu não tinha abrigo Eu tinha pílulas e álcool, mas isso não bastava  Eu poderia fingir, pois isso era tudo o que me restava Você me olha com esses olhos falsos e isso me destrói  Eu não precisava que você fosse meu herói Tudo o que eu queria era sentir sua pele, sua carne, sua respiração  Eu simplesmente queria estar com você, mas no final do dia eu não tinha nem uma fração Ela me disse que o amor não existe E eu te amei mesmo que tu me puniste, mesmo que isso me faça triste Ela disse isso mesmo que eu tenha me arrastado para fora das entranhas dela há anos atrás Te amei até mesmo quando eu não tinha mais paz Por isso eu corri para eles, como pode o falso me trazer alento e o real sofrimento? Eu te amo porque eu não sei o que é o amor Eu estou onde você não pode me ver e isso me causa dor Eu sou obcecada por cada detalhe seu pois isso é o que me mantém de pé E com você eu estou desesperada o suficiente para dar um salto de fé Agora eu sento no escuro e permito que as lágrimas transbordem Ao menos eu sei que eu ainda não os perdi e eu espero que eles nunca me acordem  Eu não os perdi porque eu nunca os tive, e eu não quero perder a ilusão de ser amada   Porque eu tentei amar, eu tento amar mas não me resta mais nada Eu apenas me permito acreditar que eu os tenho bem aqui onde não há ninguém Eu só queria que meus lábios roxos encontrassem os seus Não sei o que fazer sem seus olhos claros, aos quais jamais vou dizer adeus Porque não sei o que fazer sem isso Não sei o que fazer sem seus olhos escuros que são como um feitiço                                                       E agora que provei dos seus olhos vermelhos, eu quero mais, eu me tornei submisso 

Imagem: 'The Artist's Studio' de Charles Napier Kennedy

Comentários

Postagens mais visitadas